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Coração na garganta.

Ansiosa
Hoje chorei, não pela primeira e nem última vez, mas por um motivo único: saudade. Não sei dizer ao certo de que ou por que isso agora. Apenas lembrei de duas pessoas que se amavam, que viviam uma para a outra, que se desejavam, que se pertenciam. É impressionante como isso mudou num estalar de dedos. Duas pessoas separadas, de costas uma para outra, esquecendo as promessas, enxugando as lágrimas e prometendo nunca mais se entregar daquele jeito.
Uma vez ouvi que o amor é como um elástico, o primeiro que soltar machuca o outro. Mas sabe, quando não se tem a intensão ou a noção do que está prestes a fazer, a pessoa que solta, após ver o que perdeu, permanece ali... Com o elástico na mão. Tendo que conviver com aquilo que machucou a pessoa amada, a pessoa que nunca mais irá ter. Chega uma hora que é necessário jogar o elástico para trás, hora de fechar o livro, abrir outro, totalmente em branco. Novo corte de cabelo, viagem, novos hábitos, novos rumos.
Hoje, acordei mais cansada que sozinha. Cansada de sentir tudo isso e sentir sozinha. Cansada de carregar esse peso aqui dentro, cansada de sufocar, de sorrir querendo chorar. Está na hora de abrir as asas e treinar o meu levantar voo. Qualquer dia desses, num dia feliz de libertação.

A Caneca

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